Reflexões de um sábado à tarde

In Animais, Arte e Estética, Bem Viver, Crônica, Plantas, Política by ancuri

Estou cada vez mais convencido que a revolução se inicía no território doméstico. As transformações nas relações de poder, as construções de outros viveres, o cuidado com o outro, o cuidado com a terra, a água, os filhos.

Estou convencido que meu machismo, meu consumismo, meu racismo é uma célula do tecido social apodrecido que alimenta o feminicídio, o ecocídio, o etnocídio. Por isso preciso extirpar de mim toda construção fetichista, sexista, colonizada. Mergulhar na Pacha feminina e ancestral e reencontrar minhas raízes, e me saber parte do todo.

Estou convencido de que o maior projeto revolucionário é a defesa da vida e do lugar em que ela se manifesta, nossa casa comum. Estou convencido que ela é diversa em sua manifestação, e que ela necessita da diversidade para se manifestar. Por isso toda forma de ser precisa ser compreendida, cuidada, respeitada, preservada.

Estou convencido que toda mudança se inicia no quintal de casa, que a maior transformação é voltar a ser criança, que o amor é um simples afago no cão sem raça definida, que a alegria é revolucionária, que proteger os oceanos, os rios, os lagos é guardar da água da chuva e reutilizar a àgua do banho, que conversar com os bichos é aprender a ser simples, e ser simples é ser mais feliz.