Sobre Tempo, Beijos e Memória

In Crônica by ancuri

18 anos. Caminhando pros 19. As cortinas da memória se abrem em uma tarde quente de dezembro. Apresentam-se em cena aberta, embora em ângulos subjetivos, lembranças de um junho fresco de colheitas de sementes férteis. Um beijo imaginário explicita-se atiçando a memória, amor puro, provado a ferro e fogo, se fez. Beijo hoje de amor acumulado, mas não acomodado. Beijo longo de prólogo proustiano, mas não perdido no tempo. Beijo que se fez riso, lágrimas, suor, que percorreu estradas, rolou na cama em noites ardentes, selou destinos em votos de eterno amor. Beijo que se fez semente, que viçou e vicejou em ventre fértil e amoroso. Beijo de novela, beijo de cinema, beijo de teatro. Real, impossivelmente real. Beijo farto, abundante, transbordante. Beijo de não querer acabar mais.